quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Lapidar!

Bem, não resisto a transcrever um texto do Pe. Duarte da Cunha que recebi hoje, pelo serviço Infovitae (boletim de notícias relacionado com a defesa e promoção da Vida Humana, deixo o link para a subscrição da newsletter por e-mail). A temática do aborto é acima de tudo uma questão de consciência, e assim sendo gera-se sempre uma discussão fracturante na sociedade, mas aqueles (como eu) que são - e se dizem! - católicos têm uma responsabilidade acrescida no dia do referendo.

Sobre o Referendo e a Igreja

Pe. Duarte da Cunha

Portugal atravessa um momento complicado. No dia 11 de Fevereiro, seremos chamados a dizer o que pensamos sobre o aborto. É preciso saber o que está em jogo.

Os católicos estão, necessariamente, comprometidos nesta questão. Não podemos esquecer, no entanto, que Deus tem trabalhado em muitos corações, mesmo às escondidas, e, por isso, sabemos que não são só os cristãos convictos a serem contra o aborto. A diferença é que quem conhece Deus vai descobrir convicções e forças numa fé que aumenta o grau de responsabilidade.

Para os cristãos, como para todos os homens de boa vontade, a vida, começando no momento da concepção, desde o primeiro instante pede à mãe para a acolher. E a mãe, melhor que ninguém, sentindo essa vida, ou, pelo menos sabendo que ela já lá está, só se realiza como mulher protegendo o seu filho. Ajudar a mulher grávida, começando por estar com ela e compreendendo os medos e alegrias que a descoberta dessa gravidez acarreta, deve ser ajudar em tudo para que a sua vida e a do seu filho se encham de sentido, e não desistir de uma delas!

Vamos ter muitas ocasiões, nestes tempos, para perceber bem o que está em jogo, mas nenhum de nós se esqueça que os cristãos, por um imperativo de fé que nasce da amizade com Deus Criador e Salvador, irão dizer NÃO no referendo e não podem ter dúvidas sobre isso. Votar em consciência, para todos, mas mormente para os católicos, é votar de acordo com aquela certeza que Deus coloca no coração e que a Igreja ajuda a reconhecer através da sua doutrina. Falar da consciência não é ser relativista, pensando que cada um decide como quer sem obrigações, é, antes, perceber que as decisões não são resultado dum impulso momentâneo, mas fruto duma certeza impressa por Deus no coração. Agir de acordo com a consciência, nestas coisas da vida, é sempre actuar em defesa da vida e do amor.

A ideia de que haverá clínicas de aborto em Portugal, e, ainda por cima subsidiadas pelo Estado, é qualquer coisa que assusta! Pensar que, havendo liberalização, se decide abandonar muitas mães em dificuldades e que muitas mais serão tentadas ao aborto, como mostram os dados que indicam que nos países onde houve liberalização o número de abortos não pára de aumentar, não nos deixa de consciência limpa. Não tentar defender as mulheres que, na maioria dos casos, quando abortam em situações legais ou clandestinas, para o caso pouco importa, ficam muito mais magoadas, sobretudo psicologicamente, do que se tivessem tido o filho, mesmo em condições complicadas, nunca será a atitude cristã. Não se está a falar duma “coisa” que os adultos podem dispensar! Quando se fala de aborto estamos a falar de “alguém” cuja vida é destruída. Não acredito que haja alguém indiferente a isso.

A Igreja nunca esgotará a misericórdia, porque esta vem de Deus e nós acreditamos que Deus que salvar todos, mesmo os que andaram mais afastados, como mostram os testemunhos de tantos que depois de se terem envolvido em abortos, descobrindo o perdão de Deus, se empenham na luta pela vida. Mas não podemos deixar de fazer todo o possível para que as leis protejam quem é mais fraco e procurem evitar aquilo que não faz senão mal a todos, como é o caso do aborto. Assim tentaremos tudo o que estiver ao nosso alcance para estar do lado da vida e do amor.

1 comentário:

AAC disse...

Um comentário breve sobre este meu post, em jeito de rodapé: decidi publicar este texto do Pe. Duarte da Cunha porque me pareceu ser de uma sobriedade inatacável, ao contrário de alguns que pululam por aí no ciberespaço que ressoam a um quase fundamentalismo primário. A posição da hierarquia da Igreja deve, na minha opinião, mostrar-se firme, resoluta e cristalina, mas nunca esquecendo que "A Igreja nunca esgotará a misericórdia, porque esta vem de Deus[...]" (cfr. último parágrafo).