quarta-feira, 9 de abril de 2008

Sobre as escolas privadas

Tendo como fundo um tema muito mais abrangente, o André Abrantes Amaral deixa neste seu post um parágrafo que me suscita um comentário. Escreve ele:
"As escolas católicas são muito caras. São para uma elite, e fora dessa elite só lá consegue entrar quem faz esforços desmesurados. Como é que um católico que não tem meios financeiros para tal, assegura a educação católica dos filhos? Apenas se o Estado deixar de se intrometer no ensino da forma que o faz e permitindo a abertura de mais escolas. Só com mais escolas, as suas propinas descem e se tornam acessíveis a um número mais alargado da população."
Dado que me encontro nesta situação - tenho dois filhos numa escola privada católica que me custam uma enormidade - tenho reflectido sobre este assunto recorrentemente.

Ao contrário do AAA, e pensando no ensino privado num todo - não interessa se católico ou outro - não julgo que a solução esteja apenas em mais escolas, e portanto mais concorrência e preços mais baixos. Se deve haver livre escolha no ensino que pretendemos para os nossos filhos, o Estado deveria canalizar as verbas que custariam os alunos no ensino público para a escola da escolha dos encarregados de educação, sendo então o encargo da família a diferença entre a propina da escola e esse montante entregue pelo Estado. Concomitantemente desapareceria a dedução à colecta no IRS com as despesas de educação, dedução essa que na verdade só serve aqueles que têm rendimentos mais elevados.

Simples, pragmático e justo, como deixei na caixa de comentários do AAA, não vos parece?

4 comentários:

Maria Marques disse...

Muito pragmático, muito justo e muito liberal.

André A. Correia disse...

Afinal sempre se pode ser católico e liberal!

MRC disse...

Concordo André, mas eu ainda ía mais longe:
Como acontece, salvo erro, em alguns estados dos EUA , com o chamado "cheque-ensino" onde quem não pode ir para um colégio privado, mas quer, o Estado subsidia, recuperando, mais tarde, esse investimento em prestações quando o(a) estudante começa a vida profissional.

André A. Correia disse...

Julgo que essa é uma política correcta ao nível do ensino universitário, dado ser opcional.

Quanto ao ensino básico, por ser obrigatório, esse cheque-ensino não deve ser reembolsado. Friso que o valor corresponderia ao custo efectivo do aluno no ensino público.